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Executivos da Memed

A Memed captou R$ 80 milhões em rodada 100% primária para acelerar a incorporação de inteligência artificial à prática clínica. A operação foi coliderada pelos fundos DGF e BridgeOne, acompanhados pela DNA Capital, fundo focado no setor de saúde e já investidor da companhia, e ocorreu um ano após a empresa atingir o breakeven.

Os recursos serão direcionados majoritariamente para engenharia, produto e ciência de dados. A Memed projeta chegar a 180 colaboradores até o fim do ano, com foco nas áreas de tecnologia e produto.

“A inteligência artificial não entra como uma camada adicional sobre o software existente — ela passa a ser parte central do ato de prescrever. O médico recebe, no momento da prescrição, contexto sobre interações medicamentosas, posologia adequada ao perfil do paciente e alertas clínicos que antes dependiam de consulta a múltiplas fontes”, afirma Dr. Fabio Tabalipa, diretor médico da Memed. “Não é melhoria de interface. É uma mudança estrutural na forma como o ato clínico acontece — com impacto direto na segurança do paciente e na produtividade do médico.”

A Memed é hoje a plataforma de prescrição digital mais utilizada do Brasil: cerca de 150 mil médicos ativos por mês, equivalente a aproximadamente 30% dos prescritores do país. Ao todo, são processadas cerca de 100 milhões de receitas digitais por ano.  

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Mesmo assim, esse volume representa apenas 10% do total: o país emite cerca de 1 bilhão de prescrições por ano, a maioria ainda em papel ou em editores de texto sem estrutura de dados e inteligência. O potencial de digitalização supera dez vezes a operação atual.

O ritmo de adoção tende a acelerar com a recente atualização regulatória da Anvisa, que ampliou a obrigatoriedade de rastreabilidade, incluindo a retenção de receita para medicamentos GLP-1 e a digitalização dos receituários especiais azuis e amarelos. Nesta última frente, a Memed atuou como agente ativo, contribuindo tecnicamente junto aos reguladores para a construção do marco regulatório da digitalização no Brasil.

“A discussão deixou de ser sobre se a prescrição vai migrar para o digital. A questão agora é como transformar essa migração em ganho real de produtividade e qualidade clínica para o médico”, afirma Rodolfo Chung, CEO da Memed. “A Memed não é uma ferramenta de emissão de prescrições — é a infraestrutura sobre a qual o sistema de saúde brasileiro está se digitalizando.”

Privacidade de dados 

A arquitetura da Memed coloca a privacidade do médico e do paciente como princípio inegociável. Os dados de saúde do paciente são criptografados e não são disponibilizados, em hipótese alguma, de forma granular a varejistas, farmácias ou à indústria farmacêutica. Para o médico, a empresa garante que sua prática clínica não seja capturada em funis comerciais de terceiros. 

“Para o médico, o que está em jogo é a autonomia profissional. Para o paciente, é o controle sobre sua própria informação de saúde. A Memed é a única plataforma, na escala em que opera, que mantém ambos como cláusula pétrea do produto”, completa Rodolfo Chung.

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