
Um levantamento do Netskope Threat Labs aponta que as violações de políticas de dados “downstream”, quando um sistema de IA retorna informações a um usuário ou agente sem autorização para acessá-las, se tornaram o segundo tipo mais comum de violação relacionada à IA nas empresas, respondendo por 924 de cada 10 mil alertas. A frequência mais do que dobrou em um ano, passando de 12 para 31 ocorrências semanais por organização; entre as empresas com maior incidência, o salto foi de 72 para 206 por semana.
O crescimento é atribuído à adoção acelerada do Model Context Protocol (MCP), padrão usado para conectar modelos de IA a fontes externas de dados. Em dez semanas, o número de usuários acessando servidores MCP remotos cresceu 250% e o volume de transações, 375%.
No Brasil, segundo o estudo, 88% das organizações já utilizam plataformas de IA corporativa e 79% adotam agentes para desenvolvimento de código, patamares próximos da média global.
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O país, no entanto, está em estágio menos avançado de adoção de IA agêntica: nas últimas dez semanas, o uso do MCP cresceu 233% em usuários e 226% em transações, crescimento em ritmo semelhante que, segundo a Netskope, indica um uso ainda majoritariamente humano, diferente do padrão global, em que o crescimento de transações supera o de usuários, sinal do avanço de agentes autônomos.
As violações “upstream”, em que usuários enviam dados sensíveis a aplicações de IA, seguem sendo o risco mais frequente, com 8.752 a cada 10 mil alertas. Dados regulados e código-fonte respondem, cada um, por 35% dessas ocorrências, seguidos por propriedade intelectual (20%) e senhas e chaves de acesso (10%).
De acordo com o estudo, o volume médio de prompts por empresa triplicou no último ano, de 1.498 para 4.731 por semana; já a adoção de ferramentas de IA para desenvolvimento de código subiu de 42% para 84% das organizações, com Claude Code presente em 75% das empresas pesquisadas; e 41% das organizações já utilizam o Ollama para rodar modelos de IA localmente, buscando mais controle sobre onde os dados são processados.
“O Brasil está avançando rapidamente na adoção da IA corporativa e começa a entrar em uma nova fase, em que agentes de IA passam a se conectar cada vez mais a dados e sistemas internos. Isso exige uma evolução na forma como as empresas protegem suas informações: já não basta monitorar o que é enviado às aplicações de IA, é preciso garantir que as respostas geradas por esses sistemas respeitem as políticas de acesso”, afirma Claudio Bannwart, country manager da Netskope no Brasil.
O Netskope AI Report 2026 é baseado em dados de uso agregados de um subconjunto de clientes da companhia, coletados entre junho de 2025 e julho de 2026.
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