
Você que está lendo essa matéria provavelmente conhece os produtos da Inwave, mesmo que ainda não tenha ouvido falar da empresa. A retail tech brasileira produz aquelas antenas que apitam na porta das lojas quando alguém passa com um produto que não foi desativado, entre outras soluções facilmente encontradas no varejo, como os cadeados eletrônicos usados no mostruário de smartphones nas lojas.
Fundada em 2005, a empresa passou por uma reestruturação em 2021, deixando de atuar unicamente no modelo de OEM – uma espécie de white label do hardware – e passando a vender seus produtos diretamente no mercado varejista. Desde então, a companhia também tem ampliado sua frente de software, integrando soluções como analytics e inteligência artificial aos serviços.
Agora, a Inwave quer levar essa combinação de hardware e software para fora do Brasil. Em setembro de 2025, a companhia comprou a sueca Gateway Security, também especializada em tecnologias de prevenção de perdas no varejo. A aquisição colocou a empresa brasileira dentro de uma rede com mais de 72 distribuidores na Europa, que se tornou o principal foco da expansão internacional da Inwave.
“Foi uma aquisição de uma empresa que a gente já conhecia, tinha uma relação de longa data”, afirma Adriano Sambugaro, diretor Comercial e de Marketing da Inwave. Segundo ele, a similaridade entre as duas companhias também ajudou na decisão: a Gateway nasceu como fabricante de EAS (Electronic Article Surveillance), as tradicionais antenas antifurto utilizadas nas lojas.
A diferença é que, enquanto a Gateway construiu ao longo dos anos uma rede de distribuição no mercado europeu, a Inwave vinha ampliando sua atuação direta com varejistas e desenvolvendo uma camada própria de software.
É justamente essa combinação que a empresa pretende explorar agora. Em vez de começar a operação internacional do zero, a Inwave está usando os distribuidores da Gateway como canal para apresentar suas novas soluções aos clientes europeus.
“Estamos nesse momento de estruturação do mercado internacional. O principal foco ainda está no mercado europeu”, diz Adriano. A empresa já tem alguns projetos em andamento na região, mas não revela os clientes envolvidos.
Segundo ele, não há previsão de novas aquisições no curto prazo. A empresa encerrou 2025 em sua fase de maior expansão, com alta de 83% no faturamento bruto e de 87% na receita líquida.
O principal produto dessa nova fase da Inwave é o Darwin, uma plataforma que monitora operações nas lojas a partir de imagens e dados. A receita recorrente mensal vinculada aos contratos de licenciamento da plataforma cresceu mais de 212% entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025.
A tecnologia pode ser usada tanto nos caixas tradicionais quanto nos self-checkouts. A Inwave não fabrica o equipamento nem o software de frente de caixa. Sua solução fica sobre essa operação, usando câmeras e inteligência para identificar situações que podem resultar em perdas ou erros.
“São duas vertentes: eficiência operacional na frente de caixa e prevenção de perdas. A plataforma consegue entrar nos diferentes pontos da operação de acordo com a necessidade do cliente. Por exemplo, temos analíticos embarcados para detectar volumes no carrinho. Se uma pessoa passa com um produto que não foi registrado, emitimos um alerta em tempo real para que a operação verifique e intervenha”, explica o executivo.
Entre os clientes da companhia estão players como Assaí, Tenda, Zaffari, Atacarejo, entre outros. Mas Adriano afirma que a plataforma é flexível e pode atender tanto a pequenos, quanto a grandes varejistas.
Para ele, mais do que reduzir a necessidade de contratações, a ideia é que as soluções ajudem a melhorar os processos. “É também ajudar a trazer visibilidade do que está acontecendo para que você possa tomar ações e não ser apenas reativo. A frente de caixa é uma área por onde passam todos os produtos da loja. É onde também existe uma grande quantidade de problemas relacionados a erros de processo. E um processo errado gera uma perda. É aí que conseguimos atuar bem”, diz.
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