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A popularidade do Muse, agente de inteligência artificial da Meta, impulsionou as ações da Advanced Micro Devices (AMD) a um novo recorde histórico nessa terça-feira (6), com alta de quase 4% e cotação de US$ 654,82 durante o pregão. A disparada reflete um movimento mais amplo no mercado de chips: a explosão dos agentes de IA pessoais está recolocando as unidades de processamento central, as CPUs, no centro do debate sobre infraestrutura de inteligência artificial.

A virada favorece AMD e Intel, que há anos assistiam à Nvidia e suas unidades de processamento gráfico (GPUs) dominarem o mercado de IA. Conforme reportagem da CNBC, as duas rivais históricas acumulam desempenho superior ao de todas as grandes empresas de tecnologia no último mês: a AMD subiu 32% e a Intel, 21%, em relação ao fechamento de segunda-feira (5). O avanço das CPUs elevou a AMD ao clube das companhias com valor de mercado acima de US$ 1 trilhão.

O que está por trás desse movimento é a forma como os agentes de IA funcionam na prática. GPUs continuam sendo necessárias para processar modelos de linguagem, mas os agentes precisam de CPUs para executar tarefas autonomamente, às vezes por horas ou dias. Daniel Newman, presidente-executivo do Futurum Group, explica a distinção: “As CPUs executam os fluxos de trabalho enquanto as GPUs fazem o raciocínio”.

Agentes de IA e a corrida pelas CPUs

O Muse, da Meta, estreou no início de setembro de 2026 e atingiu o topo da App Store da Apple em menos de duas semanas, acumulando mais de cinco milhões de downloads desde o lançamento, segundo a Sensor Tower. Na semana passada, a OpenAI também lançou seu agente Dots. Ambos os sistemas rodam em hardware baseado em CPUs da AMD: o Muse utiliza o EPYC 9D25 e o Dots, o EPYC 9V74, disponível no mercado secundário por menos de US$ 3 mil. GPUs da Nvidia podem custar mais de dez vezes esse valor por unidade e costumam ser vendidas em grupos de centenas ou milhares de chips.

Ryan Shrout, presidente da Signal65, consultoria especializada em hardware de IA e custos, avalia que a tendência é estrutural. “À medida que mais agentes são criados e desenvolvidos, e mais pessoas começam a usá-los para mais tarefas, o fluxo de trabalho vai começar a se deslocar das GPUs para as CPUs”, afirma.

A Meta informou à CNBC que sua arquitetura foi construída para aceitar diferentes tipos de CPU. “Adotamos uma abordagem diversificada em relação ao nosso hardware e somos, por design, amplamente agnósticos em relação à CPU, o que nos dá maior flexibilidade na aquisição de capacidade”, diz a porta-voz da empresa em nota. A OpenAI também usa múltiplos fornecedores de CPU.

AMD na dianteira, Nvidia no encalço

A posição da AMD no segmento é robusta. A empresa detém cerca de 46% do mercado de CPUs x86, segundo levantamento da Mercury Research divulgado em agosto de 2026. A receita do seu negócio de centros de dados mais que dobrou, chegando a US$ 6,7 bilhões no trimestre encerrado em junho de 2026, o equivalente a quase 60% das vendas totais da companhia.

Dan McNamara, vice-presidente sênior e gerente-geral de computação e IA empresarial da AMD, observa que o debate mudou nos últimos oito a dez meses com a expansão do uso de agentes. “As vendas de CPUs vão realmente decolar”, afirma.

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O analista Jordan Klein, da Mizuho Securities, avalia que a AMD está bem posicionada, mas pondera que o mercado permanece em disputa. “A AMD provavelmente está capturando o máximo disso porque tem a maior fatia de mercado no mundo das CPUs para hyperscalers de nuvem”, diz Klein, acrescentando que “não descartaria a Nvidia”. Para o analista, quem puder fornecer ambos os tipos de chips estará na melhor posição.

A Nvidia, por sua vez, lançou no início de 2026 a Vera, uma CPU completamente reformulada, e projeta que o mercado de CPUs atingirá US$ 200 bilhões até 2030. Em julho de 2026, a própria AMD havia estimado que o mercado total de CPUs chegaria a US$ 220 bilhões em 2030, ante uma projeção anterior, feita em 2025, de US$ 60 bilhões. A empresa disse, em julho, que espera conquistar mais da metade desse mercado.

O Morgan Stanley estima que o agente Muse da Meta pode responder por 20% das vendas de chips da AMD em 2026, com custos de atendimento por usuário variando entre US$ 3 e US$ 130 por mês, com média de US$ 37, dependendo do uso de inferência. O Futurum Group projeta US$ 118 bilhões em vendas totais de CPUs em 2027, valor quase o dobro da previsão que a própria consultoria havia feito em maio de 2026.

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