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Fachada de uma loja da Apple com o icônico logotipo iluminado em destaque no centro de uma estrutura de vidro. O ângulo da imagem oferece uma perspectiva imponente, mostrando edifícios altos ao fundo e um céu nublado, ressaltando a modernidade e sofisticação da marca (apple, lançamento, inovação)

A Apple deve divulgar nesta semana seu melhor desempenho para um trimestre encerrado em junho em cinco anos, segundo estimativas de mercado compiladas pela LSEG. A expectativa é de que a companhia registre receita de US$ 108,65 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em junho, crescimento de 15,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

De acordo com a Reuters, o resultado está em linha principalmente a decisão da fabricante de manter inalterados os preços do iPhone, mesmo diante do aumento dos custos de componentes eletrônicos provocado pela forte demanda por memória e chips de armazenamento destinados à expansão dos data centers de inteligência artificial.

Enquanto concorrentes do mercado de smartphones repassaram parte desses custos aos consumidores, movimento que contribuiu para uma queda dos embarques globais de celulares ao menor nível em 13 anos entre abril e junho, a Apple preservou o preço de seu principal produto.

A estratégia trouxe resultados positivos. Segundo estimativas da Counterpoint citadas pela Reuters, os embarques de iPhones cresceram 3% no período, permitindo que a participação da Apple no mercado global se aproximasse de 20%.

O desempenho também contribuiu para que a empresa recuperasse da Nvidia o posto de companhia mais valiosa do mundo, em um momento em que investidores passaram a questionar o retorno financeiro dos investimentos bilionários realizados pelas grandes empresas de tecnologia em infraestrutura de inteligência artificial.

As ações da Apple acumulam valorização próxima de 25% em 2026 e, na terça-feira, fizeram a companhia ultrapassar temporariamente a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado, desempenho superior ao das demais integrantes do grupo conhecido como “Magnificent Seven”.

Estratégia de preços e impacto sobre as margens

Embora tenha preservado o preço do iPhone, a Apple já começou a reajustar outros produtos e serviços.

No mês passado, a empresa aumentou os preços dos iPads e dos MacBooks para compensar o encarecimento dos componentes. Em julho, também reajustou os valores das assinaturas do Apple Music e do pacote Apple One.

Analistas consultados pela Reuters acreditam que novos aumentos podem ocorrer ainda este ano, especialmente com o lançamento da próxima geração do iPhone, tradicionalmente apresentada em setembro.

Para Dan Morgan, gestor da Synovus Trust, investidores passaram a enxergar de forma mais positiva a postura da Apple de não acompanhar o ritmo de investimentos bilionários em infraestrutura de IA adotado por outras Big Techs. Segundo ele, enquanto anteriormente a empresa era criticada por investir menos em inteligência artificial, agora parte do mercado passou a valorizar essa disciplina financeira diante das dúvidas sobre o retorno desses aportes.

Na semana passada, por exemplo, a Alphabet registrou fluxo de caixa livre negativo pela primeira vez em sua história, resultado atribuído pelo mercado ao forte aumento dos investimentos em infraestrutura para IA.

Mesmo assim, Morgan avalia que a Apple provavelmente elevará os preços do iPhone ainda neste ano, o que poderá testar a demanda e pressionar uma empresa cuja avaliação de mercado já embute expectativas elevadas de crescimento.

As projeções da LSEG indicam que o lucro da Apple deverá crescer 18,1% no trimestre, ritmo ligeiramente inferior ao registrado anteriormente. A margem bruta também deve recuar para 47,9%, ante 49,3% no trimestre anterior.

Ainda assim, analistas acreditam que a força da marca e o ecossistema integrado da Apple devem limitar eventuais impactos negativos de reajustes de preços.

Leia mais: Apple retoma o posto de empresa mais valiosa do mundo, à frente da Nvidia

Segundo analistas do Morgan Stanley citados pela Reuters, a demanda pelos principais produtos da companhia historicamente apresenta baixa sensibilidade a aumentos de preços, especialmente no caso do iPhone, seguido pelos computadores Mac e, posteriormente, pelos iPads.

As estimativas apontam que a receita gerada pelo iPhone deverá crescer 20,8%, representando o melhor desempenho para um trimestre encerrado em junho desde 2021.

Já a receita da divisão Mac deve acelerar de 5,7% para 8,7%, mesmo após os reajustes de preços implementados recentemente. No segmento de tablets, por outro lado, o crescimento deve desacelerar de 8% para 5,2%, conforme as projeções reunidas pela Reuters.

Além dos números financeiros, investidores acompanharão as sinalizações da Apple sobre sua política de preços para os próximos meses e a capacidade da empresa de preservar margens sem recorrer aos elevados investimentos em infraestrutura de inteligência artificial que vêm marcando a estratégia de outras gigantes do setor de tecnologia.

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