
Nos últimos meses, diversas empresas viram o lado não tão divertido de estimular o uso de inteligência artificial em seus negócios. A conta do uso de tokens disparou em muitos casos, o que levou grandes companhias a implementar tetos de gastos. De olho nesse efeito colateral indesejado, a OpenAI resolveu lançar ferramentas de controle de gastos dentro do ChatGPT Enterprise.
Segundo destacou a empresa de Sam Altman em comunicado no seu site, a novidade compreende ferramentas de analytics que dão a administradores de TI visibilidade detalhada sobre como créditos de ChatGPT e Codex estão sendo consumidos dentro das organizações.
Pelo Global Admin Console, é possível ver consumo por usuário, por produto e por modelo num único painel, identificar funcionários de uso intenso e acompanhar tendências de adoção ao longo do tempo. Além disso, os admins podem definir limites padrão de crédito para todo um workspace, criar limites específicos por equipe e abrir exceções individuais para funcionários que precisam de mais capacidade.
“Com visibilidade mais clara e controles mais flexíveis, as organizações podem gerenciar custos de forma proativa, dar às equipes o acesso que precisam e manter os investimentos em IA focados no trabalho que realmente importa”, afirmou a OpenAI em comunicado.
Um pouco de contexto
O movimento da OpenAI é resposta a uma dor recente do mercado. Empresas em todo o mundo estão descobrindo que incentivar o uso de IA sem nenhum tipo de controle tem um efeito colateral previsível: a conta sobe rápido e sem aviso.
O caso mais notório dessa onda é o do Uber. A empresa havia criado uma cultura interna de incentivo agressivo ao uso de ferramentas de IA agêntica e de programação, incluindo rankings internos comparando o quanto cada equipe usava essas ferramentas. O tiro saiu pela culatra: o orçamento anual de IA da companhia foi consumido em apenas quatro meses. Para conter a “sangria”, o Uber teve que impor limites internos de consumo – um teto de US$ 1,5 mil mensais por funcionário para ferramentas como Claude Code e Cursor.
A Anthropic fez um movimento semelhante nas últimas semanas, implementando ferramentas de gestão de uso para o Claude Enterprise – trazendo para dentro de sua plataforma as funcionalidades que muitas empresas esqueceram de pensar na hora de liberar o consumo de IA entre seus funcionários.
Em entrevista ao TechCrunch no começo do mês, Alexander Embiricos, chefe de enterprise da OpenAI, revelou que a questão dos custos mudou completamente o tom das conversas com clientes nos últimos meses. “Agora as conversas são sobre: ‘ei, estamos gastando muito. Que visibilidade você tem? Que auditabilidade você tem? Que controles de token você tem? Qual é a eficiência dos seus modelos?’”
Para endereçar esse problema, a Linux Foundation anunciou recentemente a criação da Tokenomics Foundation, um novo órgão de padronização que busca instilar a mesma disciplina de custos em torno de tokens de IA que o FinOps trouxe para gastos em nuvem.
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