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IA dá o norte dos M&As no Brasil em 2026 | Foto: Canva
IA dá o norte dos M&As no Brasil em 2026 | Foto: Canva

O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&As) em tecnologia trocou volume por seletividade em 2026. Foram 87 transações no primeiro semestre, uma queda de cerca de 33% frente às 131 operações do mesmo período de 2025.

A constatação está no M&A Deals Report 2026, relatório da Questum divulgado em primeira mão para o Startups. O levantamento recoloca o setor no mesmo patamar de 2024 (83 deals) e confirma o afastamento dos picos de liquidez de 2021 e 2022, quando o país chegou a registrar 295 e 229 negócios no ano.

A leitura da consultoria é que o recuo tem menos a ver com falta de apetite e mais com uma régua que subiu. “A mudança mais relevante é qualitativa e está associada à inteligência artificial: a tecnologia deixou de ser um diferencial pontual e passou a reorganizar as teses de aquisição”, afirma Rafael Assunção, fundador e managing partner da Questum.

Segundo ele, o valor migrou “da funcionalidade isolada para a combinação de dados proprietários, automação e capacidade de aplicação dentro dos fluxos de negócio”.

Reorganização do cenário

Para dar um contexto sobre o cenário dos M&As em 2026, um dos fatores está no que o mercado global apelidou de “SaaSpocalipse”: com tecnologias como IA e agentes autônomos gerando dúvidas sobre os grandes players de software e derrubando as ações de empresas listadas, o setor se reprecificou e reorganizou o apetite comprador.

Nesse processo, estão consolidadores dispostos a pagar prêmio por software vertical, com dado proprietário e IA aplicada. À frente dos compradores seriais do semestre aparecem a Unifique (quatro deals, em telecom) e a Vela LatAm, da Constellation (quatro, em software vertical), seguidas por Selbetti e Visma, com três cada.

Já no lado de quem vende, a exigência ficou mais dura. “No sell side, as empresas precisam demonstrar não apenas receita recorrente e bases fiéis, mas também a capacidade de incorporar IA — incorporar, não apenas usar”, avalia.

Os negócios do semestre ajudam a ilustrar o ponto trazido pela Questum. A Elo comprou da Chatbank não a empresa, mas a própria tecnologia de IA generativa, para ganhar velocidade, e a Teachy levou a Nero.AI pelo time técnico e pela propriedade intelectual, não pela receita. Em ambos, pagou-se pela capacidade pronta.

O ambiente também mudou a forma de fechar negócio. Com juros elevados e valuations sob pressão, ganham prevalência estruturas que aproximam o preço ao desempenho futuro, como os earn-outs, e a preferência recai sobre ativos “com receita recorrente, governança madura e diferenciação tecnológica clara”, nas palavras do executivo da Questum.

Para quem pretende vender, a mensagem da Questum é direta. “Em um mercado mais exigente, preparação, timing e uma narrativa crível de tecnologia são o principal diferencial competitivo”, finaliza o executivo.

O post Com régua mais alta, M&As caem no 1º semestre de 2026 apareceu primeiro em Startups.