
A Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) apresentou nesta segunda-feira (15) a segunda parte do Estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026. Desenvolvido com base em dados da IDC, o levantamento indica que a inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma aposta experimental e passou a ocupar posição central nas estratégias de tecnologia das empresas brasileiras.
O avanço aparece especialmente no uso de agentes de IA, que começam a assumir papel relevante na automação de processos, no aumento de produtividade e na criação de novos modelos de negócio.
Segundo 53% dos executivos entrevistados, IA generativa e agentes de IA são temas prioritários para os investimentos em tecnologia este ano. Segurança da informação e segurança em nuvem aparecem na sequência, com 41%, seguidas por Inteligência Artificial e Machine Learning (35%), infraestrutura de nuvem (24%) e Big Data e Analytics (24%). Foram ouvidos 103 executivos C-Level no Brasil e 507 na América Latina.
Atualmente, 40% das empresas já investem em agentes de IA, enquanto outras 33% pretendem iniciar projetos nos próximos 12 meses. Na prática, sete em cada dez organizações brasileiras já investem ou planejam investir em agentes inteligentes no curto prazo.
Desafios para ampliar o uso da IA
Apesar do avanço, a ampliação do uso da IA ainda encontra barreiras. A pesquisa mostra que as empresas aceleram a adoção de agentes inteligentes, mas continuam enfrentando dificuldades para medir retorno sobre investimento e definir métricas consistentes de impacto.
“A IA tem tantas nuances e complexidades que as empresas ainda não têm uma visão clara de como chegar aonde querem com a tecnologia. Precisamos de tempo para alcançar maturidade e conhecer seus reais impactos”, afirma Jorge Sukarie Neto, conselheiro da Abes e responsável pelo estudo.
Além da mensuração de resultados, questões relacionadas à qualidade dos dados, modernização de sistemas legados, governança, escalabilidade dos projetos e escassez de profissionais especializados também dificultam o uso da IA em escala corporativa.
Mercado brasileiro de software
O Brasil encerrou 2025 com 41.613 empresas atuando nos segmentos de software e serviços, movimentando um mercado de US$ 35,4 bilhões. O País segue como o principal mercado de tecnologia da América Latina e mantém sua relevância global em um cenário marcado pela transformação digital dos negócios, pela adoção crescente de Inteligência Artificial e pela modernização da infraestrutura tecnológica.
As médias empresas correspondem a 3,4% do mercado, enquanto as grandes organizações representam apenas 2,3%. No recorte por atividade, as empresas de serviços lideram com 37,6% do total, seguidas por distribuidoras de tecnologia (33,3%) e desenvolvedoras de software (29,1%).
Na divisão por setores, o financeiro continua sendo o maior consumidor de tecnologia no Brasil, respondendo por 25,4% de todo o mercado de software e serviços. Na sequência aparecem os segmentos de Serviços e Telecomunicações (24,3%) e Indústria (19,5%), consolidando três verticais que juntas concentram aproximadamente 70% dos investimentos nacionais em software e serviços.
O varejo, por sua vez, foi o segmento que menos cresceu os investimentos (apenas 8%). Segundo Neto, o investimento massivo feito pelo setor na pandemia, com a demanda por vendas online, explica a desaceleração.
De acordo com a IDC, o mercado brasileiro seguirá crescendo em 2026, embora em ritmo mais seletivo e orientado à eficiência operacional. A expectativa é de crescimento de 5,3% para TI, 3,9% para Telecom e 4,6% para Business IT, segmento que engloba serviços, outsourcing, cloud e soluções corporativas.
O cenário aponta para uma maior priorização de iniciativas voltadas à produtividade, automação, modernização de processos e geração de retorno sobre investimento, consolidando a IA como um dos principais vetores de transformação empresarial nos próximos anos.
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