
O governo da Índia e o Telegram travaram uma disputa regulatória nas semanas que antecederam o bloqueio temporário do aplicativo no país. O impasse teve como origem acusações de que canais da plataforma estavam sendo usados para distribuir provas vazadas do exame nacional de admissão em cursos de medicina, conhecido como NEET.
Segundo documentos analisados pela Reuters, autoridades indianas cobraram do Telegram medidas mais rigorosas para remover grupos e canais suspeitos de divulgar conteúdos relacionados ao vazamento das provas. O governo alegou que a empresa não teria atuado de forma suficientemente rápida diante das denúncias.
O Telegram contestou essa interpretação. A companhia afirmou que removeu conteúdos apontados pelas autoridades e argumentou que registros oficiais de reuniões continham informações imprecisas sobre as ações adotadas pela plataforma.
O conflito culminou no bloqueio temporário do aplicativo na Índia. O governo justificou a medida alegando que o serviço vinha sendo utilizado para facilitar fraudes relacionadas ao exame nacional, cuja edição anterior foi marcada por denúncias de vazamento que provocaram forte repercussão política.
Com cerca de 150 milhões de usuários no país, a Índia representa um dos maiores mercados do Telegram no mundo. Recursos como grupos com grande capacidade de participantes e mecanismos de anonimato ajudaram a impulsionar a adoção da plataforma, mas também atraíram críticas de autoridades e especialistas em segurança digital.
Disputa chega aos tribunais
O Telegram recorreu à Justiça para contestar a decisão do governo. Em ação apresentada na Alta Corte de Delhi, a empresa argumenta que o bloqueio viola princípios constitucionais ligados à liberdade de expressão e ao acesso à informação.
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O fundador da plataforma, Pavel Durov, criticou a medida e afirmou que o bloqueio afeta milhões de usuários sem atacar diretamente a origem do problema relacionado aos vazamentos.
O caso amplia a pressão regulatória sobre plataformas digitais na Índia, um dos mercados mais estratégicos para empresas globais de tecnologia. Nos últimos anos, o governo indiano intensificou exigências relacionadas à moderação de conteúdo, rastreabilidade de mensagens e cooperação com investigações oficiais.
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