
Embora cerca de metade dos brasileiros acredite ser capaz de diferenciar conteúdos reais de materiais gerados por inteligência artificial, um levantamento da Veriff em parceria com a Kantar aponta que, na prática, a capacidade de identificar deepfakes no país pouco difere de um palpite aleatório.
Segundo a pesquisa, 80% dos brasileiros afirmam já ter se deparado com deepfakes online, índice superior ao registrado nos Estados Unidos e no Reino Unido, onde a exposição gira em torno de 60%. Ainda assim, 32% dos entrevistados tiveram desempenho equivalente ou inferior ao acaso em um teste de identificação, enquanto apenas 20% alcançaram os níveis mais altos de acerto.
Os erros foram mais frequentes em vídeos. Em um dos testes, apenas 29% dos participantes identificaram corretamente um conteúdo manipulado, enquanto um vídeo real foi reconhecido como inautêntico por 35% dos entrevistados.
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Os principais critérios usados pelos brasileiros para detectar fraudes são: pele artificial (64%), movimentos ou expressões estranhas em vídeos (63%) e inconsistências em elementos como cabelo, olhos e dentes (57%). Cenários incoerentes (50%) e iluminação pouco natural (49%) também aparecem entre os indícios observados.
“Um ponto que chama atenção no Brasil é a diferença entre confiança e acerto. Cerca de metade das pessoas acredita que consegue identificar deepfakes, mas essa confiança não se traduz em melhores resultados”, afirma Andrea Rozenberg, diretora de Mercados Emergentes da Veriff.
O levantamento também indica que o Brasil se destaca no uso de ferramentas de IA para criação de conteúdo. Segundo a pesquisa, 59% dos entrevistados afirmam já ter produzido imagens ou vídeos com inteligência artificial, acima dos índices registrados nos Estados Unidos (49%) e no Reino Unido (38%).
Os impactos da tecnologia também preocupam. 87% dos entrevistados temem cair em fraudes e golpes de identidade, enquanto 82% demonstram receio com a perda de confiança nas interações digitais e 81% com a disseminação de desinformação política.
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