Skip to main content

roi, investimento, empresa, inteligência artificial, bcg, ceo

Após a onda inicial de entusiasmo e contratações em massa de softwares de Inteligência Artificial, muitos líderes começaram a encarar um choque de realidade. A pergunta que se repete com frequência cada vez maior nas reuniões de diretoria é: onde está o retorno de tudo o que foi investido? 

Há uma profusão de soluções em uso: um modelo generativo no marketing, uma ferramenta de leitura documental no jurídico, robôs espalhados por vendas e atendimento. Individualmente, essas tecnologias cumprem o que prometem. Mesmo assim, o impacto financeiro consolidado continua aquém das expectativas. O diagnóstico é simples e desconfortável: as ferramentas funcionam isoladamente, mas não operam de forma integrada.

Dados do Boston Consulting Group revelam o tamanho do problema: apenas 5% das empresas capturam valor com IA em escala, enquanto 60% não obtêm valor material algum, mesmo com aportes substanciais. O problema, portanto, não é o algoritmo. A grande oportunidade que a maioria dos líderes de tecnologia está deixando passar é a orquestração de IA. Ter um ecossistema repleto de softwares pontuais que não conversam entre si não é uma estratégia; é apenas empilhar custos de software sem retorno proporcional.

A mudança de paradigma fica clara quando observamos fluxos operacionais complexos, como a análise de crédito. Historicamente, essa era uma jornada morosa, dependente de checagens manuais em diversas bases e altamente vulnerável a equívocos humanos. Com a orquestração de IA aplicada de ponta a ponta, esse processo tem seu tempo reduzido em até 94%. Isso não vem de uma solução única e milagrosa, mas do trabalho encadeado de múltiplos agentes especializados: cada um resolve uma etapa, transfere o contexto para o seguinte e opera dentro de limites claros de governança. É a diferença entre implantar ferramentas de IA e reprojetar de fato como o negócio opera.

Leia mais: Estágios em tecnologia e cursos gratuitos abrem inscrições com Atech, Ford, Serasa, Onfly e mais – IT Forum

Se os seus investimentos em IA não estão comprimindo processos de vários dias e vários departamentos em minutos, você não está evoluindo. E antes de colocar mais um agente em produção, é necessário fazer uma pergunta incômoda: os seus processos estão prontos para ser governados por algo mais rápido que uma planilha?

Implementar novas tecnologias sobre processos desalinhados é um erro comum. A IA não corrige disfunções operacionais, ela apenas acelera o caos se aplicada a um fluxo ineficiente. Antes de expandir a adoção de novos agentes, é necessário mapear a maturidade das próprias rotinas e decidir onde a IA agrega valor real, como ela se integra ao legado e de que forma a liderança mantém o controle sobre as decisões críticas à medida que os agentes ganham autonomia.

No entanto, velocidade operacional só vira valor quando vem acompanhada de controle. À medida que os agentes passam a executar etapas de forma autônoma, o diferencial deixa de ser a rapidez e passa a ser a governança embutida no próprio fluxo, e não adicionada como uma camada à parte. Cada decisão fica registrada, cada exceção é escalada para revisão humana e cada etapa respeita as regras que a empresa já definiu. Isso torna a orquestração confiável o bastante para que chegue a processos críticos, e não apenas a provas de conceito. A IA deixa de ser uma promessa de eficiência e passa a ser uma operação auditável.

Por fim, a validação desses projetos perante os executivos exige uma mudança na linguagem. Apresentações técnicas precisam dar lugar a indicadores de negócio incontestáveis. O Time-to-Value, quanto tempo um processo crítico levava antes da IA e quanto leva agora, é um dos mais importantes. A velocidade de decisão, o quão mais rápido o time consegue agir porque o dado já estava pronto, também é uma métrica que o board entende e cobra. Encontrar as métricas certas é traduzir uma conversa sobre tecnologia em um caso de negócio compreensível para todos.

Os líderes que se destacarão nesta nova fase da tecnologia corporativa não serão aqueles que acumulam aplicações de forma desordenada. O sucesso pertencerá aos gestores que souberem conectar ferramentas, dados, equipes e agentes em uma arquitetura única. O resultado da IA não está nas implantações; está na conexão entre as ferramentas que você já tem e na sua capacidade de orquestrá-las com precisão.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!